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Advogado que espancou policial civil se entrega e é preso em Feira de Santana


Pouco mais de duas horas após o Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia (Sindipoc) oferecer recompensa de R$ 1 mil reais para pessoas que tivessem informações que ajudassem na busca pelo advogado Orlando Freire de Assis, de 29 anos, ele se entregou acompanhado de um advogado. Ele está sendo indiciado por duas tentativas de homicídio e porte ilegal de arma.

De acordo com informações da Secretaria da Segurança Pública do Estado da Bahia (SSP-BA) e da Polícia Civil, o advogado se apresentou no Fórum Filinto Bastos no começo da tarde desta quarta-feira (13) e passará por exames de corpo de delito. Em seguida, será encaminhado para o Presídio de Sobradinho, também em Feira de Santana.

À polícia, o advogado afirmou que "perdeu a cabeça" e que “não tinha intenção de matar ninguém”. 

Orlando é acusado de espancar e ameaçar de morte o investigador da Polícia Civil Sérgio Roberto Souza Oliveira, em Feira de Santana. Um vídeo mostra uma discussão seguida de briga entre os dois. Um vídeo mostra toda a situação, que começa com uma discussão entre Orlando e Sérgio. Após conseguir derrubar o policial, o advogado ainda roubou sua arma e, com ela, atirou na direção de um caminhoneiro que tentou conter o espancamento.

Relembre o caso

Um advogado agrediu um policial civil na noite de domingo (10), por volta das 21h30, em Feira de Santana. O caso aconteceu nas imediações do Boulevard Shopping, no bairro do Caseb. Ele teve prisão preventiva decretada pela Justiça da Bahia na terça-feira (12). 

De acordo com a delegada Bianca Torres Andrade, titular da 2ª Delegacia (Feira), que investiga o caso, o policial Sérgio Roberto Souza Oliveira, que não teve sua idade divulgada, e o advogado Orlando Freire de Assis, acompanhado da sua esposa, estavam na mesma festa. O bacharel em Direito já teria tido desentendimentos durante o evento e, em determinado momento, deu um soco no policial, sem motivo aparente.

Ainda segundo a delegada, após o tumulto dentro da festa, Orlando foi retirado do evento por seguranças. O policial saiu do local em seguida e, do lado de fora, questionou o porquê de ter sido alvo de agressão. Em seguida, o advogado "ficou alterado e tirou a camisa". Assustada, a esposa se ajoelhou, pediu para que Sérgio Roberto fosse embora e foi atendida. Segundo a delegada, a vítima não utilizou a arma que portava na cintura em nenhum momento.

Quando se virou de costas para o agressor, segundo a investigação, Orlando se soltou da mulher e agrediu Sérgio Roberto, que acabou desmaiando e continuou sendo espancado, mesmo no chão, com chutes.

Um caminhoneiro que passava pelo local presenciou a cena, desceu do veículo e tentou interferir, sem sucesso. O advogado pegou a arma portada pelo policial e deu dois tiros em direção ao homem que tentou apartar a briga, mas não conseguiu acertar nenhum deles. Quando mirou a arma em direção ao policial, o equipamento não funcionou. Ele fugiu do local em seguida.

Bastante machucado, o policial foi socorrido e está internado no Hospital Emec, em Feira, onde passou por cirurgia. Ele segue internado "e a situação é bastante delicada", segundo a investigação.

As vítimas e seis testemunhas já foram ouvidas na delegacia. Imagens da festa e do desentendimento na rua estão sendo analisadas pelos policiais. 

O acusado já tinha antecedente criminal, em 2007, por agressão. “Ele responderá por duas tentativas de homicídio, contra a vítima e a testemunha que tentou separar a briga, e por porte ilegal de arma de fogo”, esclareceu o coordenador da 1ª da Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/ Feira de Santana), Roberto da Silva Leal. 

Registro cassado

De acordo com o vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Feira de Santana, Raphael Pitombo, o agressor pode ter o registro cassado. "Em principio, não é uma demanda que a OAB tem que se envolver, porque o advogado, embora tenha vínculo com a ordem, não exerce a profissão. O provável é que haja agora um processo ético disciplinar contra ele, onde será julgado na instituição e pode ter o registro cassado", explicou.

"Estamos aguardando o processo, que é sigiloso, mas já tramita dentro do tribunal de ética da OAB. Quando tivermos uma decisão neste processo, será informado", completou Pitombo.

Fonte: Correio