Mais de 90% do lixo em todo o país é jogado ao ar livre, ocasionando sérios problemas. Primeiro, a presença de animais peçonhentos podem causar doenças e até epidemias. Depois, o cheiro insuportável incomoda quem trabalha ou passa perto destes locais. Muito grave também é o fato que a decomposição do lixo gera o chorume, líquido que contamina o solo e os recursos hídricos.
Sem controle os lixões acabam sendo depósitos de resíduos perigosos como o lixo hospitalar, produtos radioativos ou tóxicos, que deveriam ter destino especial. O que acontecia em Jacobina até 2009.
O lixão a céu aberto também atrai catadores de lixo. Adultos e crianças que se contaminam com doenças variadas e animais domésticos, que se alimentam com restos de comidas.
Segundo Oziel Carneiro de Morais (Magrão), coordenador de Limpeza Pública de Jacobina, cerca de 56 toneladas de lixo são depositadas diariamente no lixão do município. Resíduos domésticos lançados no meio ambiente sem nenhum cuidado especial. Isto acontece em 95% das cidades do país. Há ainda a questão dos resíduos que são jogados em beira de rios, nascentes ou espalhados pela cidade, pela própria comunidade.
Ao longo dos últimos 35 anos os resíduos coletados vão para os lixões. Ao longo deste tempo o lixo foi jogado nesta porção de terreno, sem nenhuma preparação para evitar os danos que pode vir a causar.
MUDANÇAS - Mas finalmente esta triste realidade está mudando. Desde que assumiu a administração a prefeita Valdice Castro vem trabalhando para erradicar o quadro. Propostas foram apresentadas, empresas consultadas, licitações abertas e parecia que a solução não viria.
Na última licitação a Empesa-Empresa Pernambucana de Engenharia Sanitária Ltda., venceu a Tomada de Preços e finalmente a cidade está começando a se livrar do lixão.
Segundo a prefeitura serão investidos cerca de R$ 1.200,000, 00 (um milhão e duzentos mil reais), para sanar o problema. Há sessenta dias trabalhando no local, resultados positivos são observados. Quem passa na rodovia que liga Jacobina a Miguel Calmon percebe que o lixão está ficando limpo.
A principal tarefa da Empesa é a extinção do lixão. Para isto implantará controle de vazadouro, cobertura dos resíduos existentes com solo argiloso, drenagem do chorume, gás, águas superficiais, arborização e cercado, além de valas sépticas para resíduos de saúde.
PARCERIAS - Paralelamente a prefeitura está viabilizando a formalização da Cooperativa de Catadores de Resíduos, cujo projeto já está em análise na Setre-Secretaria do Trabalho Emprego e Renda do Governo do Estado.
Glériston Macedo, coordenador de Meio Ambiente da prefeitura explica: “Há mais de dois anos estamos trabalhando neste projeto e finalmente já podemos ver resultados. A cooperativa está sendo montada, o projeto será apoiado pela Setre e a previsão de investimentos é da ordem de R$ 500.000,00 (Quinhentos mil reais) em dois anos. O dinheiro será usado em treinamento, fardamento, equipamentos e manutenção das cercas de vinte famílias que deixarão de exercer a sua atividade no lixão”.
Ainda segundo o coordenador de Meio Ambiente, está sendo solicitada a inclusão no projeto da compra de um caminhão para a futura coleta seletiva na cidade.
O apoio ao projeto de implantação da cooperativa é viabilizado através da PANGEA - Centro de Estudos Sociais e Ambientais, entidade especializada neste tipo de assessoramento, contratada pelo Estado. Esta entidade executora estará preparando os associados e a diretoria da futura cooperativa, para que daqui a dois anos, eles possam dar continuidade ao empreendimento de segura.
Na segunda etapa do projeto de extinção do lixão, o aterro sanitário será implantado como determina a legislação vigente. O projeto já está elaborado aguardando apenas a finalização dos trabalhos da Empesa.
Para a prefeita Valdice nunca houve empenho para resolver definitivamente o problema do lixão. “Em apenas três anos já estamos mudando esta realidade. Agora é uma questão de um pouco mais de tempo. É um caminhar. Acredito que nos próximos doze meses já teremos organizado tudo e começaremos a construção do nosso aterro sanitário”.
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