A Americanas (AMER3) revelou, por meio de investigação interna, que uma antiga diretora da empresa tinha conhecimento das fraudes contábeis que a empresa sofreu, e que foram anunciadas no início deste ano. As informações foram divulgadas em um fato relevante enviado ao mercado na manhã desta terça-feira (13). 

"Foram identificados diversos contratos de verba de propaganda cooperada e instrumentos similares (VPC), incentivos comerciais usualmente utilizados no setor de varejo, que teriam sido artificialmente criados para melhorar os resultados operacionais da companhia como redutores de custo, mas sem efetiva contratação com fornecedores", aponta o documento.

Ainda segundo o documento, essas operações aconteceram por um período significativo e alcançaram, em número preliminares e não auditados, a marca de R$ 21,7 bilhões no fim de setembro de 2022.

“As contrapartidas contábeis em balanço patrimonial desses contratos de VPC criados ao longo do tempo, os quais não tiveram lastro financeiro associado, se deram majoritariamente na forma de lançamentos redutores da conta de fornecedores, totalizando, em números preliminares e não auditados, o saldo de R$ 17,7 bilhões em 30 de setembro de 2022. A diferença de R$ 4 bilhões teve como contrapartida lançamentos contábeis em outras contas do ativo da companhia”, continuou o fato relevante.

A investigação contou que a antiga diretoria da Americanas “contratou uma série de financiamentos nos quais a companhia é devedora sem as devidas aprovações societárias, todas inadequadamente contabilizadas no balanço patrimonial na conta fornecedores”.

Quem participou da fraude

O relatório da Americanas indicou que o ex-CEO Miguel Gutierrez, dos ex-diretores Anna Christina Ramos Saicali, José Timótheo de Barros e Márcio Cruz Meirelles, e dos ex-executivos Fábio da Silva Abrate, Flávia Carneiro e Marcelo da Silva Nunes participaram do rombo bilionário.

Gutierrez desligou-se da varejista em 31 de dezembro de 2022. O ex-diretor Timótheo de Barros foi afastado das funções executivas em 3 de fevereiro de 2023 e comunicou sua renúncia em 1º de maio.

Já os diretores Saicali, Meirelles, Abrate, Carneiro e Nunes também foram desligados da companhia junto com Barros, na data 3 de fevereiro. Os demais colaboradores identificados até o momento já foram determinados pela administração da Americanas.

A empresa afirmou também que o relatório foi "baseado em documentos entregues pelo comitê de investigação independente (“Comitê Independente” ou“Comitê”) e por documentos complementares identificados pela Administração e seus Assessores após as reuniões com o Comitê" e que "os documentos analisados indicam queas demonstrações financeiras da Companhia vinham sendo fraudadas pela diretoria anterior da Americanas.

Fonte: BP Money

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