Violadas não apenas fisicamente, mas também privadas do direito básico de viver. A violência contra a mulher segue como uma das faces mais cruéis da desigualdade de gênero no Brasil e no mundo.
Em 2025, esta crueldade voltou a se tornar mais alarmante com os constantes casos de feminicídio registrados em todo o país, além de episódios baianos que ganharam repercussão nacional.
No início do ano, mais precisamente no Dia Internacional da Mulher, o BNews Nordeste noticiou o caso de Luiza dos Santos Andrade, de 30 anos, vítima de feminicídio após ser atacada com golpes de faca, o estado de Alagoas. O namorado da vítima é apontado como responsável.
Em agosto, o BNews noticiou outro caso de extrema violência que ganhou repercussão nacional. Laina Santana Costa Guedes foi morta com golpes de marreta na varanda da própria casa, em Lauro de Freitas, crime cometido pelo marido e presenciado pelos filhos do casal.
O companheiro da vítima, Ramon de Jesus Guedes, foi preso e apontado como autor do feminicídio. Segundo relato do suspeito à polícia, ao chegar ao imóvel, o casal teria iniciado uma discussão. Ele afirmou que tentou deixar o local, mas foi impedido pela companheira e, nesse momento, teria “perdido o controle”, desferindo os golpes contra a contadora, que caiu desacordada.
Os casos dialogam com as estatísticas do Relatório Global de Feminicídio 2025, divulgado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) em parceria com a ONU Mulheres, que confirmam que o feminicídio continua ceifando a vida de dezenas de milhares de mulheres e meninas em todo o mundo, sem sinais concretos de avanços estruturais no enfrentamento dessa violência.
As estatísticas apontam que somente em 2024, cerca de 83 mil mulheres e meninas foram mortas de forma intencional. Deste total, aproximadamente 60%, o equivalente a 50 mil vítimas, foram assassinadas por parceiros íntimos ou familiares.
Na prática, isso significa que, a cada dez minutos, uma mulher ou menina é morta por alguém do seu próprio convívio. Em média, são 137 assassinatos por dia. Em contraste, apenas 11% dos homicídios de homens ocorrem nesse mesmo contexto familiar ou afetivo.
Os feminicídios não acontecem isoladamente. Muitas vezes, fazem parte de um contínuo ambiente de violência que começa com comportamentos de controle, ameaças e assédio, inclusive no ambiente virtual”, alerta Sarah Hendriks, diretora da Divisão de Políticas da ONU Mulheres.
Além disso, o diretor-executivo interino do UNODC, John Brandolino, aponta que a “casa continua sendo um espaço perigoso e às vezes letal para muitas mulheres e meninas ao redor do mundo. O relatório de feminicídio 2025 é um lembrete contundente da necessidade de melhores estratégias de prevenção e respostas de justiça criminal que considerem as condições que alimentam essa forma extrema de violência”, afirmou John Brandolino.
Bahia – Medidas protetivas
No Brasil, o Mapa Nacional da Violência de Gênero, que reúne dados do Senado Federal, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Sistema Único de Saúde (SUS), revela estatísticas relevantes sobre a emissão de medidas protetivas e os casos de feminicídio no país.
Conforme o levantamento, 718 feminicídios foram registrados no Brasil apenas no primeiro semestre de 2025. O estudo, elaborado pelo Observatório da Mulher contra a Violência, também aponta 33.999 registros de estupro contra mulheres entre janeiro e junho, o que representa uma média de 187 casos por dia.
Ainda segundo o levantamento, entre 2022 e 2023, mais de um milhão de medidas protetivas foram concedidas no país. Ainda assim, segundo a Pesquisa Nacional de 2023, esse número poderia ser maior caso as mulheres brasileiras tivessem mais conhecimento sobre o instrumento.
Em 2025, até outubro, conforme dados isolados do CNJ, o país recebeu aproximadamente 792,4 mil pedidos de medidas protetivas. Desse total, 518 mil foram concedidas e mais de 55 mil acabaram sendo negadas.
Na Bahia, o Tribunal de Justiça do Estado (TJ-BA) recebeu mais de 44 mil medidas protetivas, figurando entre os cinco tribunais que mais receberam pedidos desse instrumento de proteção no país.
Desse total, 25,2 mil medidas protetivas foram efetivamente concedidas, enquanto cerca de 2 mil foram negadas e mais de 10 mil acabaram revogadas. Outro dado que chama atenção é o tempo médio entre o início do processo e a concessão da primeira medida protetiva, na Bahia, o prazo médio é de 14 dias para que a ferramenta seja efetivada.
Esse índice coloca o TJ-BA na posição da corte que mais demora para emitir medidas protetivas no país.
Ademais, no território baiano, a maior demora ocorre na concessão das medidas de 1º grau em procedimentos não criminais, que funcionam de forma acessória à ação principal e levam, em média, 18 dias para serem concedidas. Já nos processos de conhecimento penal, quando a medida é analisada no coração da ação principal, o tempo médio de concessão é de 14 dias.
Denuncie
Em casos de violência contra a mulher, seja você vítima ou testemunha, é recomendável agir. A Central de Atendimento à Mulher, por meio do número 180, funciona 24 horas por dia, de forma gratuita e sigilosa, prestando orientações e recebendo denúncias.
A ligação pode ser feita de qualquer lugar do Brasil e é um passo para romper o ciclo da violência e garantir proteção às vítimas. Denuncie. Violência contra a mulher é crime.
Fonte: BNews

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