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Um trio de baianos juntou inteligência artificial e responsabilidade social para criar uma ferramenta com o objetivo de ajudar mães solo nas finanças. Péricles Oliveira, Luã Mota e Adriele Ornellas apresentaram o projeto da "Yá", ferramenta para ajudar essas mulheres a gerirem o orçamento, na AI4Good 2026 Brazil Conference at Harvard & MIT e saíram entre as três equipes vencedoras.

Nascidos em diferentes comunidades de Salvador, o trio conta, em entrevista ao g1, que a ideia da ferramenta nasceu de uma análise do cenário da realidade social local e nacional. Isso porque, segundo dados do Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres chefiam 51% dos lares na Bahia.

Neste cenário, o grupo observou também a forte presença das mulheres negras, responsáveis por chefiar 6 em cada 10 lares liderados por mulheres no Brasil.

Foi basicamente olhar para a realidade da gente. Salvador é a capital com maior proporção de lares chefiados por mãe sem cônjuge - e aí não é mãe solteira, é bom a gente reforçar isso, são mães solo, pode ser divorciadas, viúvas, separadas, aponta Péricles, que é engenheiro eletricista.

A apresentação aconteceu no palco principal da conferência, em Boston, nos Estados Unidos, no fim de março. O AI4Good tem o objetivo de selecionar e acelerar projetos de inteligência artificial que busquem resolver problemas sociais da vida real.

O projeto de Péricles, Adrielli e Luã foi o único do Nordeste a ser selecionado ao fim de um programa de seis semanas. No fim, a "Yá" (cujo nome significa "mãe" na língua Yorubá) foi uma entre os três vencedores do programa, que avaliou 188 trabalhos de todo o Brasil.

Péricles foi criado no bairro de Vila Matos, Luã em Paripe e Adrielli no Bairro da Paz, localizados em zonas periféricas de Salvador. Para os três, a experiência foi além de uma oportunidade e se tornou um espaço de autoafirmação e empoderamento.

Além de ser uma experiência inédita, foi um processo de autoconhecimento, reafirmação. Foi um empoderamento, de você se sentir capaz, sentir que você pode entrar nesse espaço, comentou Luã.

Autonomia e percepção financeira

Para além da experiência pessoal, o grupo realizou uma série de processos para construir a ferramenta. Entre as etapas, cerca de 14 mães solo foram entrevistas com o objetivo de entender e determinar quais eram as verdadeiras necessidades delas.

Foi muito grandioso fazer uma solução para esse problema e gerar esse impacto nessas mães. [...] Quando a tecnologia encontra um propósito, ele gera um impacto muito grande, enfatizou Adrielli, pesquisadora em UX (Experiência do Usuário), que esteve próxima das mães durante o processo de criação da ferramenta.

O trio percebeu que, no geral, as entrevistadas tinham pouca consciência financeira e dificuldade para construir uma reserva no orçamento.

A partir dessas percepções, a "Yá" nasceu para ser utilizada como uma espécie de diário de gastos, no qual as usuárias podem registrar despesas comuns do dia a dia, que passam despercebidos, mas fazem diferença no orçamento ao fim do mês.

A ideia da ferramenta é não gerar nenhum tipo de fricção ou burocracia na forma de utilizar. A gente entende que o nosso público pode ter algumas limitações, como espaço no celular, [por isso] a gente partiu para um canal que hoje já é amplamente utilizado no Brasil, que é o WhatsApp, explica Luã Mota, arquiteto de software do projeto.

Outro aspecto chamou a atenção dos desenvolvedores da ferramenta durante o processo: muitas usuárias demonstravam ansiedade para lidar com os números, o que dificultava a gestão dos recursos. Porém, ao usar a ferramenta, as entrevistadas relataram sentir mais autonomia e ter uma melhor percepção da própria realidade financeira.

Não é só a economia de dinheiro é, às vezes, uma relação ansiosa com os números, de olhar e sentir ansiedade ou não querer nem olhar para os números porque veem eles muito baixos, contou Péricles. Em um dos relatos, [a mãe] tinha ansiedade ao ver os números e a IA mostrou [a situação] sem julgamento, [o que] demonstrou para ela que o problema era menor do que ela imaginava

A "Yá" ainda não está disponível para o público, mas uma lista de espera está sendo criada via formulário online. A ideia é reunir um grupo de interessadas e começar a aplicar a funcionalidade da ferramenta direto com as cadastradas no segundo semestre deste ano.

A ferramenta será acessada por meio de um número e pode ser adicionada no WhatsApp como um número de telefone qualquer. Nela, as usuárias poderão escrever ou gravar áudios para o robô, que ajudará com a gestão das finanças a partir dessas informações.

Fonte: G1 / Foto: Reprodução

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