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O Ministério Público da Bahia (MP-BA) deflagrou na manhã desta terça-feira (26), a "Operação Sponsor", que investiga crimes de peculato, fraudes em processos licitatórios e desvios de recursos públicos que deveriam ser entregues a entidades carnavalescas e organizadores de Paradas LGBTI+ em Salvador.

Segundo o MP-BA, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em um órgão público, uma associação e endereços ligados a cinco pessoas, entre elas servidores da Prefeitura de Salvador.

A reportagem apurou que entre os alvos da operação está a ex-vereadora e a diretora-geral da Secretaria Municipal de Reparação (Semur), Leo Kret (PDT). Ela foi afastada da função. Não houve prisões.

Por meio de um vídeo publicado em uma rede social, Leo Kret relatou que acionou os advogados e que deve se posicionar em breve.

Meu nome apenas foi mencionado em uma investigação com um contrato que eu nem assino. Todo mundo sabe, a Bahia toda sabe do meu caráter, da minha índole, sabe do meu trabalho com a população, pontuou.

Leo Kret ficou conhecida como a "dançarina do povo" após atuar no grupo de pagode baiano Saiddy Bamba. Ela foi a primeira vereadora transexual do Legislativo soteropolitano, quando conseguiu 12.860 votos em outubro de 2008.

Na época, o nome de batismo dela era utilizado apenas nos documentos oficiais de identificação. Em 18 de novembro de 2009, ganhou na Justiça o direito de usar o nome Leo Kret do Brasil, conforme sentença do juiz Nelson Cordeiro, da Vara de Registro Civil. Mesmo com a determinação judicial, apenas em 2018 o nome dela foi substituído pela Justiça Eleitoral.

Nas eleições de 2012, ela concorreu à reeleição para o cargo de vereadora, obteve 7.495 votos e não conseguiu reeleger-se por coeficiente eleitoral.

Leo Kret ainda se candidatou para o cargo de deputada estadual em 2014, vereadora em 2016, 2020 e 2024, e deputada federal em 2018 e 2022, mas também não conseguiu se eleger.

A Justiça determinou ainda os afastamentos do presidente da associação e de duas servidoras municipais investigadas. Os nomes deles não foram divulgados.

A reportagem tenta contato com a Prefeitura de Salvador, mas não conseguiu até a última atualização desta reportagem.

Como funcionava o esquema

Segundo as investigações, recursos públicos que deveriam ser destinados ao patrocínio de eventos carnavalescos e ações voltadas à comunidade LGBTI+ teriam sido desviados por meio de uma associação de fachada.

De acordo com os promotores de Justiça, a associação teria recebido mais de R$ 1,1 milhão da Prefeitura de Salvador, sendo que parte desses recursos teriam beneficiado integrantes da associação. Os valores deveriam viabilizar eventos em 57 bairros da capital baiana, além do apoio a 18 blocos carnavalescos durante o Carnaval de 2025.

A apuração teve início após o MP-BA receber informações e documentos apresentados por organizadores de eventos e integrantes da comunidade LGBTI+, relatando irregularidades na destinação de verbas públicas destinadas à realização do projeto “Caminhada da Diversidade LGBTI+”.

Fonte: G1 / Foto: Reprodução

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