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A jovem Iana Silva Santos, de 25 anos, morta a facadas dentro de casa na manhã de quinta-feira (21), em Salvador, tinha uma medida protetiva contra o ex-companheiro, apontado pela família como principal suspeito do crime. O homem havia sido preso em fevereiro deste ano por agredi-la, mas foi colocado em liberdade no último dia 7 de maio após decisão judicial.

O suspeito, identificado como Jonatas dos Santos Moreira, foi condenado pela Justiça da Bahia pelo crime de lesão corporal em contexto de violência doméstica contra Iana. Apesar da condenação, a prisão preventiva dele foi revogada e ele passou a responder em liberdade.

Iana trabalhava como mecânica em uma empresa de ônibus da capital baiana. Segundo familiares, o suspeito invadiu a residência da vítima, no bairro de Coutos, e a atacou com golpes de faca. Após o crime, ele fugiu.

Vizinhos e parentes entraram na casa depois de ouvirem gritos e encontraram a jovem ferida no chão. Ela chegou a ser socorrida para o Hospital do Subúrbio, mas não resistiu.

Os familiares acreditam que o suspeito entrou pelo telhado da casa e fugiu pela janela, mas os detalhes do crime ainda serão investigados pela Polícia Civil (PC).

Em nota, o Sindicato dos Rodoviários lamentou a morte da jovem.

Nos solidarizamos com familiares, amigos e companheiros(as) neste momento de dor e reafirmamos nosso repúdio a toda forma de violência contra a mulher.

A Polícia Civil informou que o caso é investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios (DH). Diligências são realizadas com o objetivo de localizar o suspeito.

Condenação por violência doméstica

De acordo com a denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA), as agressões de Jonatas contra Iana ocorreram na madrugada de 13 de fevereiro de 2026, por volta das 4h, na casa da vítima.

Em depoimento à Justiça, Iana relatou que o relacionamento havia terminado dias antes e que o ex-companheiro não aceitava a separação. Segundo ela, o homem insistia em reatar a relação e chegou a afirmar que, “se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém”.

A vítima contou que dormia quando percebeu a presença do suspeito dentro do quarto.

A porta estava toda fechada. Tanto o portão da entrada quanto a porta da casa e do quarto. Quando eu vi, ele já estava dentro do quarto, disse.

Ainda conforme o depoimento, as agressões começaram imediatamente.

Ele já estava sem a farda do trabalho, com roupa comum e me agredindo. Eu sem reação nenhuma.

Iana afirmou que o ex-companheiro desferiu socos e chutes principalmente no rosto.

Ele me batia querendo deformar minha face, como conseguiu deformar. Me dava chute e soco na cara. Quando eu caía no chão, ele chutava minha cabeça.

Segundo o processo, a jovem sofreu edema traumático, equimoses nos dois olhos, lesões nos lábios e múltiplos traumas faciais. Exames anexados ao processo apontaram fratura cominutiva do assoalho orbitário direito, desalinhamento ósseo e comprometimento da região facial.

Durante interrogatório, Jonatas admitiu que houve agressão física, mas alegou ter agido em legítima defesa. O argumento foi rejeitado pela Justiça, que apontou desproporção entre a versão apresentada pelo acusado e a gravidade dos ferimentos.

Ao final do julgamento, Jonatas foi condenado a dois anos de reclusão em regime aberto, além do pagamento de indenização equivalente a um salário mínimo à vítima.

Na sentença, o magistrado decidiu revogar a prisão preventiva. Segundo o juiz, diante da condenação em regime aberto, não existiam "motivos neste momento para decretação de nova prisão preventiva”. A pena também teve execução suspensa por dois anos, mediante cumprimento de medidas determinadas pela Justiça.

Fonte: G1 /  Foto: Reprodução

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