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O macaco-prego que invadiu casas de um condomínio de alto padrão em Salvador, na segunda-feira (5), morreu. A informação foi divulgada pelo ex-deputado estadual Marcell Moraes (PSDB), tutor do animal silvestre, e depois confirmada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).

O animal havia sido capturado por uma equipe da Companhia de Policiamento e Proteção Ambiental (Coppa), da Polícia Militar, e encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), onde recebeu atendimento.

Captura de macaco-prego que invadiu casas na BA durou mais de três horas; polícia precisou de rede específica para conter animal

Na publicação, Marcell afirmou que suspeita que o macaco tenha sido envenenado e cobrou uma investigação para esclarecer as circunstâncias da morte. O g1 entrou em contato com a assessoria dele, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Ele saiu daqui saudável e foi levado pela polícia depois de entrar na casa de vizinhos do Alphaville 2. Agora meu filho está morto, e eu exijo uma perícia séria e independente", escreveu o ex-deputado no Instagram

Marcell também afirmou que pretende buscar a responsabilização de possíveis envolvidos na morte do macaco.

Segundo ele, a investigação deve esclarecer o que aconteceu com Alcebíades desde o contato com os moradores até o período em que esteve sob os cuidados do Cetas e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).

Não vou aceitar silêncio, descaso nem impunidade. Vou processar e buscar responsabilização de todos os envolvidos que as provas apontarem. Vou até o fim por justiça para Alcebíades.

Procurado pela reportagem, o Inema informou que, embora relatos apontem a ingestão de bebida alcoólica e medicamentos, ainda não foi possível determinar se o animal de fato ingeriu essas substâncias. O órgão afirma que o macaco-prego foi admitido no Cetas já desacordado, com queda no nível de consciência e resposta reduzida a estímulos. O exame clínico observou lesões traumáticas na região da face, que provocaram hipertermia acentuada e aumentaram a frequência cardíaca dele.

Considerando o histórico relatado pela equipe responsável pela ocorrência e os sinais clínicos observados no momento da admissão e durante o atendimento, foi considerada, entre as hipóteses clínicas, a possibilidade de exposição a agente tóxico. Contudo, os sinais apresentados são inespecíficos e, isoladamente, não permitem confirmar intoxicação, tampouco determinar eventual agente causador, diz a nota enviada ao portal.

Alcebíades recebeu atendimento veterinário e foi monitorado, mas veio a óbito às 18h42 da segunda-feira (5). O corpo do animal será encaminhado para exame necroscópico, a fim de esclarecer a morte.

Em meio a isso, o Inema ressaltou que vai apurar as circunstâncias relacionadas aos cuidados com o animal silvestre e verificar a eventual ocorrência de negligência por parte do tutor.

Invasão de casas e resgate

O macaco-prego foi capturado na segunda-feira (5), após invadir residências do condomínio Alphaville 2, em Salvador. A operação de resgate durou cerca de três horas e meia.

Durante as invasões, o animal quebrou um box de vidro, entrou em um quarto onde estava um bebê de apenas cinco dias de vida e feriu algumas pessoas.

Relatos apontam que macaco também ingeriu bebida alcoólica, álcool 70% e uma cartela de medicamentos. Segundo uma das moradoras, as invasões do animal eram recorrentes.

Diante da situação, os moradores acionaram a Companhia de Policiamento e Proteção Ambiental (Coppa), da Polícia Militar, que realizou a captura.

Na ocasião, a corporação informou que o macaco foi contido e imobilizado com os cuidados necessários para preservar a integridade física dele e garantir a segurança dos policiais e das pessoas presentes.

Após o resgate, Alcebíades foi encaminhado ao Cetas para avaliação e atendimento especializado. Segundo os profissionais responsáveis pelo atendimento, o animal chegou à unidade debilitado.

Ex-deputado publicava fotos com o macaco nas redes sociais
Conforme apuração do g1, o animal se chama Alcebíades e costumava aparecer com frequência nas redes sociais do tutor, que concorreu ao cargo de deputado federal pela Bahia neste ano, mas não foi eleito.

O macaco também tinha um perfil com mais de 10 mil seguidores em uma rede social, que foi desativado. A assessoria de comunicação do político informou que ele não irá se pronunciar sobre o assunto.

No domingo (4), um dia antes da fuga do animal, Marcell publicou uma foto com o braço sangrando e atribuiu o machucado ao macaco.

Hoje foi um dia muito diferente e difícil. Além de ter sido mordido por Alcebíades quando ia levá-lo comigo para votar, fiquei sem conseguir mexer dois dedos. Ainda estou tentando assimilar tudo; a ficha sobre o resultado da votação ainda não caiu, escreveu.

Marcell não ocupa cargos políticos desde 2020, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o mandato dele e determinou inelegibilidade por oito anos, contados a partir das Eleições de 2018, quando ele se reelegeu para a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).

O motivo apontado pelo TSE foi abuso do poder econômico e propaganda eleitoral antecipada após a realização de atendimento veterinário gratuito (vacinação e castração) em vários municípios do estado.

Fonte: G1 / Foto: Reprodução

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