Um grupo de vereadores de Salvador pediu, nesta terça-feira (27), a abertura de uma investigação na Câmara Municipal sobre redução da frota de ônibus na cidade durante o 2º turno das eleições, ocorrido no domingo (25).
A proposta foi apresentada ao presidente da Casa, vereador Carlos Muniz (PSDB), durante a tarde, em reunião a portas fechadas. O objetivo é responsabilizar os envolvidos, caso seja confirmado o erro.
Até a última atualização desta reportagem, a oposição, que é minoria na Casa, tinha 10 das 14 assinaturas necessárias para a abertura da Comissão Especial de Inquérito (CEI). A Câmara de Salvador tem 43 vereadores.
É colher essas assinaturas e fazer com que, se houver o acolhimento das 14 assinaturas, abrir essa CEI. Mais do que isso é esperar a investigação que está sendo feita pela Polícia Federal para que nós possamos tomar algum tipo de providência, destacou o presidente da Casa.
Relatório aponta falhas
Nesta terça-feira, a TV Bahia obteve acesso ao processo que tramita no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). No documento, os juízes relatam falhas encontradas durante vistoria nas garagens das empresas de ônibus.
- Na sede do BRT, localizada na Avenida Barros Reis, as autoridades foram recebidas por um supervisor, que "confirmou que a frota que estava circulando era inferior à frota que circula durante a semana, e que a empresa segue orientação recebida da Semob".
- Depois, os juízes foram até a sede da Integra Verde G2, no bairro de Santa Mônica, e constataram diversos veículos estacionados na garagem. No local, eles foram recebidos por um operador de tráfego, que também confirmou que a frota circulando era menor do que a frota semanal.
- Por último, o grupo se dirigiu até a garagem da Ottrans G1, situada na Estrada Velha de Campinas de Pirajá, onde encontrou a mesma situação: ônibus parados e um operador de tráfego também confirmando que a frota circulando era menor do que a frota ativa durante a semana.
A equipe de reportagem também teve acesso aos vídeos anexados ao processo que mostram as garagens com dezenas de ônibus parados. O Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) encontrou mais de 950 coletivos parados durante a fiscalização.
Secretário se defende
Em entrevista nesta terça-feira, o secretário de mobilidade de Salvador (Semob), Pablo Souza, afirmou que a prefeitura adotou a mesma estratégia de transporte nos dois turnos de eleições e que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não determinou que 100% da frota de ônibus estivesse disponível em nenhuma cidade do país.
Adotamos no domingo exatamente a mesma estratégia que adotamos no primeiro turno das eleições deste ano. Há mais de 10 anos, a Prefeitura de Salvador adota a mesma estratégia. O TSE, em nenhum momento, determinou que 100% da frota de ônibus estivesse em nenhuma cidade do país, afirmou.
O secretário de mobilidade afirmou que a frota de ônibus é de 1,7 mil veículos, e que, no primeiro e no segundo turno, 850 veículos operaram nas ruas — ou seja, 50% da frota.
Em contrapartida, a resolução nº 23.751 do TSE, de fevereiro de 2026, diz que: "o poder público adotará as providências necessárias para assegurar, nos dias de votação, a oferta gratuita de transporte coletivo urbano municipal e intermunicipal, inclusive o metropolitano, com frequência compatível com aquela dos dias úteis (Supremo Tribunal Federal, ADPF nº 1.013/DF)".
Além disso, um texto veiculado no site da Semob, informa que a operação do segundo turno das eleições contaria com "100% da frota utilizada em dias úteis, sem a redução habitual de veículos aos domingos".
O Sindicato dos Rodoviários de Salvador confirmou que, aos fins de semana, a frota é reduzida para até 50%, devido a folgas dos funcionários. No dia do segundo turno, a operação montada era de um domingo comum.
De acordo com o secretário, a única diferença entre a operação do primeiro e segundo turno está relacionada a colagem de adesivos com propaganda eleitoral nos coletivos. Imagens mostram que adesivos com o número 13, número da campanha de Lula (PT), foram colados nos ônibus que estavam nas garagens, o que é proibido.
Por conta disso, pelo menos 75 ônibus dos transporte público de Salvador foram impedidos de sair das garagens na manhã de domingo, informação que foi confirmada pela prefeitura. Em entrevista, o secretário afirmou que a operação foi regulada rapidamente, assim que a secretaria percebeu que a retirada dos adesivos estava atrapalhando o fluxo de transportes.
Nossa equipe prontamente entrou no circuito. Praticamente toda a frota que estava na garagem neste dia amanheceu adesivada e as empresas de ônibus iniciaram logo cedo a remoção, que é determinada pelo TSE. Quando a gente identificou que estava tendo impacto operacional, entramos no circuito e determinamos que não impedissem nenhum ônibus de sair da garagem, afirmou o secretário.
Fonte: G1 / Foto: Reprodução

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