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Câncer de cabeça e pescoço avança entre jovens; campanha faz alerta sobre a doença


O Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, celebrado nesta sexta-feira, 27, traz um alerta sobre o avanço da doença em todo o planeta, principalmente entre os jovens. A campanha Julho Verde chama a atenção da sociedade para o combate aos tumores que atingem as cavidades oral e nasal, além da faringe e laringe.

Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para 2018, dois tipos de câncer nesta região do corpo estão entre as dez posições com maior incidência no público masculino. O câncer da cavidade oral, que aparece em quinto lugar, deve registrar 11.200 novos casos, o que equivale a 10,86 ocorrências para cada 100 mil homens. Já o câncer de laringe ocupa a 7ª posição na lista e deve registrar 6.390 novos casos este ano, com 6,17 casos para cada 100 mil homens.

Entre o público feminino, estima-se que o câncer da cavidade oral deva acometer 3.500 mulheres, ocupando a 12ª posição do ranking, com 3,28 casos para cada 100 mil mulheres. Já o câncer de laringe deve registrar 1.280 novos casos em 2018, com 1,20 caso para cada 100 mil mulheres. Este tipo está na 16ª colocação do ranking.

De acordo com o médico Bruno Protásio, do Núcleo de Oncologia da Bahia (NOB), houve um aumento do número de jovens acometidos pelo câncer de cabeça e pescoço nos últimos anos. “Se a gente contabilizar historicamente, estes tumores acometem o paciente mais idoso, o tabagista e o etilista (que ingere bebidas alcoólicas em grandes quantidades). Mas, nos últimos 20 ou 30 anos, surgiu o terceiro fator de risco, que é o vírus HPV (Papilomavírus Humano), de transmissão sexual. Ele acomete uma área restrita, que é a língua e as amídalas. Então surgiu esse fator sexual de risco, que acomete os pacientes mais jovens, que não fumam e não bebem”, ressalta o oncologista.

Sintomas

Segundo o especialista, deve-se ficar atento aos três principais sintomas que indicam infecção pelo HPV e podem resultar em um dos tipos de câncer de cabeça e pescoço. “Os sintomas mais comuns são lesões na boca que não cicatrizam em duas semanas; caroços na região do pescoço (ínguas), que são os linfonodos do nosso sistema linfático de defesa, caso também persistam por duas semanas; e o terceiro sintoma, importante para os tumores de laringe, que é a rouquidão persistente”, explica Protásio.

No caso de lesões na boca, a indicação é procurar um dentista ou um clínico geral. Este último também deve ser acionado se for detectada uma íngua, que também não desapareça no prazo de duas semanas. Já em caso de rouquidão, o ideal é se consultar com um otorrinolaringologista.

O passo seguinte é a realização de uma biópsia e, caso seja confirmado o tumor, o paciente deve passar por um tratamento que pode envolver o oncologista, o cirurgião de cabeça e pescoço e o radioterapeuta, a depender do caso.

Bruno Protásio destaca a importância do diagnóstico precoce, que pode ter um papel fundamental na cura do paciente. “O diagnóstico precoce impacta diretamente na sobrevida, por isso, quanto mais inicial, melhor. A gente classifica o diagnóstico em quatro estágios. No primeiro, por exemplo, a chance de curar o problema é maior do que 80%. No segundo estágio, a chance do tratamento ser menos intenso ainda é grande, mas isto diminui nos estágios seguintes”.

Prevenção

Algumas atitudes podem ser tomadas para evitar o contágio pelo HPV e também a possibilidade da infecção pelo vírus evoluir para um câncer de cabeça e pescoço. Segundo o médico, o combate ao tabagismo e ao consumo de bebidas alcoólicas em grande escala são alguns deles, além do uso do preservativo nas relações sexuais, inclusive no sexo oral – uma das formas de contágio do HPV.

“Existe também a vacina contra o HPV, disponível pelo SUS para meninos e meninas em idade escolar, que combate os quatro tipos de vírus (6, 11, 16 e 18). Os tipos 16 e 18 são os que podem causar o câncer de colo de útero e também o de cabeça e pescoço, por isso o alvo é o mesmo”, explica Bruno Protásio. A vacina contra o HPV é voltada principalmente para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14.

Fonte: A Tarde

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