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Em tom irônico, Barroso diz que Judiciário está mudando 'lentamente'


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)Luís Roberto Barroso passou um tom otimista ao defender o futuro do Brasil e destacar todas as dificuldades que a nação conseguiu superar nos últimos 30 anos, como a luta contra a extrema pobreza e vitória sobre a ditadura. Barroso, entretanto, não poupou ironia ao falar das transformações no seu setor.

"O Judiciário está mudando lentamente (pronunciando esta última palavra de forma bastante pausada)". A fala retirou gargalhadas da plateia. Barroso participou, nesta sexta-feira, 28, de palestra no 18º Conec, evento do setor de seguros, em São Paulo (SP). O painel foi organizado pelo Sincor-SP.

O ministro é um duro crítico do Judiciário. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo no último dia 26, Barroso afirmou que há gabinetes na corte distribuindo senha "para soltar corrupto". A fala foi mal recebida e Barroso divulgou uma nota afirmando que o "tom ácido" usado não corresponde a sua visão geral do Tribunal.

Uma das principais desavenças de Barroso no Supremo é com o ministro Gilmar Mendes. Os dois chegaram a travar um embate recentemente que ganhou a internet. Barroso disse que Gilmar é "uma pessoa horrível". "Uma mistura do mal com o atraso".

Economia

O ministro também defendeu reformas estruturais para o País, como a da Previdência e a tributária. "A matemática é implacável. Ela não é de esquerda nem de direita. Se a conta não fecha, você quebra", defendeu, e emendou: "Precisamos de uma reforma da Previdência, que não é fácil, mas necessária".

Democracia não é regime em que 'meu lado ganha sempre'

Luís Roberto Barroso saiu em defesa do resultado das eleições 2018 no Brasil e vê isso como um dos compromissos principais para se garantir a estabilidade institucional. "Quem ganha, leva. Democracia não é regime de governo em que meu lado ganha sempre. Democracia é regime de governo em que a divergência é absorvida e quem perdeu hoje pode ganhar amanhã", disse.

Muitos candidatos neste ano passaram a questionar a legitimidade da eleição, sobretudo por causa da urna eletrônica, que, segundo eles, não seria segura. Jair Bolsonaro, candidato ao Planalto pelo PSL, chegou a colocar em xeque um eventual resultado em que seu nome não saísse vitorioso.

Barroso também listou um segundo compromisso para a saúde da democracia, em que, "quem leva, governa de acordo com as regras democráticas e respeitando os direitos fundamentais de todos."

Fonte: Estadão

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