Irã ataca duas bases que abrigam tropas dos EUA no Iraque


Duas bases no Iraque que abrigam forças americanas e iraquianas foram atingidas por mais de uma dúzia de mísseis iranianos na noite desta terça (7) - madrugada de quarta (8) no horário local -, informou o Pentágono.

A base aérea de Ain Al-Asad, no oeste do país, é uma das que foram atingidas, e a outra está em Erbil, na região curda do Iraque. A Guarda Revolucionária do Irã assumiu a responsabilidade pelos lançamentos dos mísseis a ambas as bases.

Segundo avaliação inicial dos Estados Unidos, os mísseis atingiram áreas da base que não eram ocupadas por americanos e não há vítimas do país. Um militar americano afirmou à rede de televisão americana CNN que as forças armadas tiveram um aviso antecipado do ataque, e que as pessoas tiveram tempo de se abrigar em bunkers.

Inicialmente, fontes de segurança do Iraque relataram à CNN que havia vítimas iraquianas, mas, depois, outras fontes do país não confirmaram a informação. Uma fonte de segurança também do Iraque disse à CNN que 13 foguetes atingiram a base de Al-Asad, e que eles foram lançados de uma distância de cerca de 10km.


Fontes curdas afirmaram que os mísseis atingiram duas partes separadas em Erbil: um caiu dentro do perímetro do aeroporto, mas não explodiu, e o outro caiu cerca de 33 km a oeste da cidade sem deixar vítimas.

"Está claro que esses mísseis foram lançados do Irã", declarou o Pentágono, confirmando os ataques. "Estamos trabalhando em avaliar os danos iniciais da batalha".

Um porta-voz das forças armadas da Noruega disse à Associated Press que cerca de 70 soldados noruegueses estavam na base de Al-Asad, mas que não houve relatos de feridos. A Alemanha informou que seus soldados em Erbil estão bem. Segundo a Reuters, cerca de 115 militares alemães estão na cidade.

A Austrália também informou que todos os diplomatas e militares no Iraque estão seguros, assim como a Nova Zelândia.

Mais cedo, uma rede estatal de TV iraniana havia informado que "dezenas de mísseis" foram lançados contra a base de Al-Asad. A agência de notícias Tasnim falou em uma "segunda rodada de ataques" pelo Irã, mas não ficou claro a quais ofensivas essa "rodada de ataques" se referia.

Segundo a rede de televisão árabe "Al Mayadeen", citada pela Reuters, helicópteros americanos estiveram presentes em ao menos um dos locais atacados, e um estado de "alerta total" foi ativado.


Resposta de Trump

O presidente americano, Donald Trump, escreveu um tuíte em resposta aos ataques: "Tudo está bem! Mísseis lançados do Irã em duas bases militares localizadas no Iraque. Avaliação das vítimas e danos estão ocorrendo agora. Por enquanto, tudo bem! Temos, de longe, as forças armadas mais poderosas e bem equipadas do mundo! Farei uma declaração amanhã de manhã".


A equipe de Trump estava se preparando para um possível pronunciamento ainda esta noite, mas, depois, a Casa Branca informou que ele não falaria.

Mais cedo, a assessora de imprensa de Trump, Stephanie Grisham, informou que ele estava a par dos ataques, e, depois, declarou que não haveria mais comunicados da Casa Branca nesta terça (7).

"O presidente foi informado e está monitorando a situação de perto e consultando sua equipe de segurança nacional", disse.
O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, e o secretário da Defesa, Mark Esper, foram à Casa Branca, mas depois deixaram o local, junto com o vice-presidente, Mike Pence.

Logo após os ataques, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) proibiu voos americanos não militares de viajar pelo espaço aéreo do Iraque, do Irã, e sobre as águas do Golfo do Omã e do Golfo Persa.

A "Singapore Airlines" anunciou, em comunicado à CNN, que desviou todos os voos entrando e saindo da Europa para fora do espaço aéreo iraniano. A "China Airlines", de Taiwan, declarou que não voaria no espaço aéreo do Irã e do Iraque.

Ameaças

De acordo com uma rede de TV iraniana, o ataque é parte da operação de vingança de Teerã, chamada de "Mártir Soleimani", contra a morte do general Qassem Soleimani, na semana passada, em um ataque aéreo americano no Iraque. O comandante era chefe da Força Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária iraniana, e no momento dos ataques ainda não havia sido enterrado.

"Os ataques de mísseis hoje foram apenas o primeiro passo", declarou um comandante da guarda, que não foi identificado, à rede de TV estatal Irib, segundo a Reuters. "O presidente dos Estados Unidos, Donald, deveria pensar em retirar suas tropas da região e não deixá-las ao nosso alcance".

"Estamos alertando todos os aliados dos americanos, que deram suas bases ao seu exército terrorista, de que qualquer território que seja ponto de partida de atos agressivos contra o Irã será alvo", declarou a Guarda Revolucionária do Irã por meio da Irna, a agência de notícias oficial iraniana.

A Guarda Revolucionária iraniana também ameaçou Israel e os Emirados Árabes. Em seu canal no aplicativo de mensagens Telegram, a guarda disse que atacaria a cidade israelense de Haifa e Dubai se o território iraniano fosse atingido. Disse ainda que, se os Estados Unidos retaliassem o ataque desta terça, responderiam à ofensiva "dentro da América".

O ministro das Telecomunicações do Irã, Azari Jahromi, escreveu no Twitter "saiam da nossa região!" com a hashtag "vingança dura" na mensagem.

Base

A base aérea de Ain Al-Assad fica no oeste do Iraque, na província de Anbar. Começou a ser usada pelas forças americanas depois da invasão do Iraque pelos EUA em 2003, que derrubou Saddam Hussein. As tropas americanas também ficaram lá durante o combate contra o Estado Islâmico. Cerca de 1,5 mil soldados estão abrigados ali, segundo a AP.

Poucas horas depois do ataque iraniano, um avião de uma companhia aérea da Ucrânia, com 170 passageiros a bordo, caiu logo após decolar do aeroporto de Teerã. Até a última atualização desta reportagem (01h48 do horário de Brasília), não havia evidências de que os dois incidentes tivessem ligação.