‘Não pode ser acidente’, diz delegado da PF sobre incêndios no Pantanal

A PF (Polícia Federal) deflagrou nessa 2ª feira (14.set.2020) a operação Matáá, para investigar as queimadas no Pantanal. Para o delegado Alan Givigi, o fogo que consome o maior bioma úmido do mundo não é acidental. Os investigadores veem indícios de queimadas deliberadas para criação de área de pasto onde antes era mata nativa.

“As queimadas começaram em fazendas da região, em espaços inóspitos, dentro das fazendas, onde não há nada perto, o que nos faz entender que não pode ser acidente. Teoricamente, alguém foi lá para isso [colocar fogo]“, disse o delegado em entrevista ao Estado de S. Paulo publicada nesta 3ª feira (15.set.2020).

“O fogo nesse caso seria para queima da mata nativa para fazer pasto. Já que não pode desmatar, porque é área protegida, coloca fogo e o pasto aumenta, sem levantar suspeita”, falou Givigi.

Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em Campo Grande e Corumbá. A PF não divulgou o nome dos envolvidos. Os suspeitos podem responder por crimes de dano à floresta de preservação permanente, dano direto e indireto a Unidades de Conservação, incêndio e poluição.

O Ministério do Desenvolvimento Regional reconheceu nessa 2ª feira (14.set) a situação de emergência em Mato Grosso. Com o documento assinado pelo governo, o Estado e seus municípios têm acesso a recursos federais para usar no combate aos incêndios.

Entre o mês de janeiro e o último domingo (13.set.2020), foram registrados 14.489 focos de incêndio na região. No mesmo período do ano passado, foram 4.699. O fogo consumiu 10% do bioma este ano, com 17.500 quilômetros quadrados de mata destruídos. Isso equivale a 3 vezes a área do Distrito Federal.

Poder360
Foto : Mayke Toscano/Secom-MT