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Professores da rede estadual de ensino da Bahia denunciaram, nesta segunda-feira (12), descontos abusivos em sua folha de pagamento. À reportagem, profissionais que integram um grupo da categoria disseram estar revoltados com um golpe que têm sofrido por meio de cartão de crédito e de empréstimo.

A professora Andrea Karla, que atua como REDA na rede há 12 anos, tem chegado a ter cerca de 10% do salário comprometido pelos valores cobrados, que não são reconhecidos por ela. "A gente que é assalariado vive em cima de qualquer coisa para pagar qualquer coisa. Se você está tendo um desfalque desse tamanho, fica muito difícil", desabafa.

Ao todo, Andrea já teve mais de R$1,3 mil descontados desde abril do ano passado - nove descontos de R$127,87 e dois descontos de R$89,38. O primeiro valor é de um empréstimo, enquanto o segundo é referente a um cartão de crédito - ambos do tipo Credcesta. Ela não reconhece nenhum dos dois. Em todos os casos, são por meio de uma conta do Banco Master, assim como tem ocorrido com os outros colegas. "Eles estão, de maneira abusiva, acabando com a vida do funcionário público. A gente já tem uma vida de escassez e ainda vêm esses descontos", desabafa.

Quando percebeu a primeira cobrança estranha, Andrea chegou a ir a uma agência do banco e ouviu de uma funcionária que era referente a um empréstimo que ela tinha feito em 2020. "Só que eu tinha outra matrícula em 2020 e já tinha pago todos os empréstimos, porque era na época da pandemia e fui pagando avulso com o boleto. Eu paguei, imprimi e tem todos os boletos em casa. Foi até bom meu marido guardar todos os boletos", conta.

A professora acionou a Justiça e aguardava o resultado até que, em novembro, surgiu outro desconto, agora no valor de R$89,38. "Fui no banco de novo e disseram que era um cartão que eu não tenho. Recebi esse cartão, porque eles mandam para todo mundo, mas eu nunca ativei. Nunca pedi, mas recebi e não ativei".

Faturas

Já o caso da professora Júlia* começou em outubro, quando recebeu a ligação de uma funcionária do Banco Master oferecendo um cartão de crédito com o limite de R$7 mil. A promessa era de que o cartão chegaria em sua casa em até 15 dias. "Até hoje não recebi", diz ela, que tentou entrar em contato com os canais de atendimento e não teve mais resposta.

O problema é que, ainda que não tivesse recebido o cartão, começou a receber os descontos. "Teve um mês que descontou mais de R$ 100. E eu recebo fatura do banco, no valor de R$200, 300, 400. Uma fatura para algo que nunca utilizei", denuncia.

Para completar, ela não consegue acessar a fatura. Recebe um código de barras com o valor, mas não consegue abrir para saber o que está sendo cobrado. "Através do meu outro banco, o Nubank, todas as dívidas aparecem. Só que quando clico para ter acesso, dá erro, mas todo mês vem descontando".

Júlia também pretende mover uma ação judicial. "Ainda nem tenho ideia do impacto, porque preciso sentar para calcular tudo que foi descontado, mas pretendo processar porque estou sofrendo danos financeiros significativos. Descrevi a situação para um colega que disse que estava sofrendo a mesma coisa. Participo de um grupo de professores e vários colegas perguntaram quem mais tinha sofrido o golpe".

A reportagem procurou a Secretaria de Administração do Estado (Saeb) e representantes da APLB (sindicato que representa os professores) para saber se têm acompanhado o caso e se medidas estão sendo tomadas. O espaço segue aberto para manifestação.

Fonte: Correio 24 Horas

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