Uma consultoria tributária de Teresina (PI) que prestou serviços para o Banco Master subcontratou o filho do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kassio Nunes Marques.
A Consult Inteligência Tributária recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master e R$ 11,3 milhões da JBS entre agosto de 2024 e julho de 2025.
As informações constam em um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo e ao qual a reportagem teve acesso.
O relatório do Coaf mostra que, entre 2024 e 2025, a consultoria fez pagamentos para o escritório do filho do ministro do STF, o advogado Kevin de Carvalho Marques, 25, que recebeu R$ 281,6 mil em 11 transferências no período.
Os R$ 18 milhões pagos pelo Master e pela JBS correspondem a toda a receita da Consult no período.
O Coaf classificou as transações como incompatíveis com a capacidade financeira da empresa porque ela declarou um faturamento de R$ 25,5 mil. O Coaf apontou ainda que os valores sugerem "origem não formal" dos recursos. Para os técnicos do órgão, a Consult pode ter sido usada como conta de passagem.
O Master enviou R$ 6,6 milhões à Consult em 14 operações entre outubro de 2024 e julho de 2025. O período coincide com a tentativa de Daniel Vorcaro de vender o Master ao BRB (Banco de Brasília).
As tratativas começaram no fim de 2024 e o acordo foi anunciado em março de 2025. O BC (Banco Central) vetou a operação em setembro do ano passado. Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro do mesmo ano, logo após a autoridade monetária decretar a liquidação da instituição financeira.
O celular de Vorcaro apreendido pela PF contém registros de conversas dele com o próprio Kassio Nunes Marques.
A reportagem procurou o ministro Nunes Marques por meio da assessoria de imprensa do Supremo, que não respondeu até a publicação deste texto.
A Consult afirmou que "prestou serviços de auditoria e consultoria tributária, além de desenvolvimento e implantação de sistemas destinados para fins de auditoria tributária desses grupos".
Kevin Marques afirmou que o valor pago pela Consult se refere a serviços de assessoria jurídica prestados durante o período de 11 meses. Disse ainda que o compartilhamento de endereço fiscal entre a Consult e o IPGT é temporário e não constitui qualquer ilegalidade.
Sobre Kevin Marques, afirmou que pagou a ele R$ 25 mil por mês, durante quase um ano, por prestação de serviços técnicos e de assessoria jurídica.
A consultoria foi criada em 2022 por Francisco Craveiro de Carvalho Junior. Seu filho, Gabriel Campelo de Carvalho, é sócio de Kevin Marques em uma empresa chamada Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária.
As duas empresas têm o mesmo endereço de email.
Além do Master, a Consult recebeu dinheiro da JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A multinacional transferiu R$ 11,3 milhões à consultoria em 12 transferências. A companhia não se pronunciou sobre o tema.
A Consult também pagou R$ 256 mil para Victor Linhares de Paiva, ex-assessor do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e que foi alvo da operação Carbono Oculto, por ter contas em instituições financeiras suspeitas de serem usadas pelo PCC para lavagem de dinheiro.
A reportagem tentou contato com Gabriel e Victor, por mensagem, durante a tarde desta sexta, mas não obteve resposta. Os pagamentos para Victor foram por consultoria de mercado, disse a Consult.
A reportagem obteve outro documento de informação financeira que mostra que o Banco Master pagou quase R$ 2 milhões para a empresa de um ex-braço direto de Ciro Nogueira.
As transferências aconteceram no primeiro semestre de 2024 e tiveram como destinatária a Financial Capital, empresa que à época tinha entre seus sócios Jonathas Assunção, ele deixou a companhia no mesmo semestre.
Assunção foi secretário-executivo de Ciro Nogueira quando ele ocupou a chefia da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro (PL).
Nogueira é apontado como um dos principais aliados de Vorcaro na política, em mensagens obtidas pela Polícia Federal, o ex-banqueiro se refere ao senador como um grande amigo e agradece por emendas apresentadas no Congresso Nacional.
Procurado, Jonathas Assunção disse não ter qualquer relação com o Banco Master.
Em relação à Financial, integrei o quadro societário da empresa até março de 2024, sem atuação direta em todos os contratos de prestação de serviços, não tendo participado de qualquer tratativa relativa aos contratos e valores mencionados na reportagem, declarou, em nota. A empresa, na condição de correspondente bancário, mantinha relação com diversas instituições financeiras regularmente constituídas à época, nos termos da legislação vigente.
A defesa de Vorcaro não se manifestou.
Ciro Nogueira disse, por meio de sua assessoria, que "lamenta as frequentes tentativas de associá-lo a escândalos". Segundo ele, essas tentativas serão frustradas.
Nogueira afirmou ainda que "não teve nem tem conhecimento dos pagamentos mencionados".
Fonte: Bahia Notícias / Foto: Andressa Anholete

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