Duas mulheres denunciaram o engenheiro Vitor Doto Barbosa por assédio sexual, durante reuniões de emprego em Salvador. De acordo com as vítimas, os crimes aconteceram dentro da sede da empresa dele e, nos dois casos, o suspeito tirou a camisa durante as reuniões.
Até tentei prosperar no sexo aqui, mas não deu certo. Estou brincando, Priscila!, diz o homem em um vídeo gravado com uma das vítimas.
As denúncias contra o suspeito foram registradas no fim de 2025, na Casa da Mulher Brasileira. A reportagem tentou contato com o engenheiro, mas não obteve retorno.
Uma das mulheres que denunciou o engenheiro é a professora de rede estadual de ensino, Priscila Silva. A vítima conheceu o suspeito através das redes sociais em outubro do ano passado. Na ocasião, ele procurava uma profissional para encabeçar o projeto de uma escola para empreendedores.
Priscila foi convidada para participar de uma reunião na sede da empresa Boto Engenharia, no bairro de Brotas. No local, o suspeito apresentou o projeto para a vítima, mas depois admitiu estar "excitado" ao conversar com ela.
Eu perguntei para ele se ele achava que eu era capaz de tocar o projeto. Ele disse: 'sim, porque você é muito atraente, as pessoas gostam de mulheres atraentes. Eu estou aqui desconcertado conversando com você, chego a dizer que estou até excitado', relembrou Priscila.
A professora contou, em entrevista à reportagem, que tentou ignorar os comentários e apenas falar sobre o projeto da escola de empreendedores. Em determinado momento da reunião, o suspeito a levou em um banheiro, onde disse que costumava anotar suas ideias no espelho e paredes. No local, tirou a camisa. Depois disso, Priscila saiu do banheiro e voltou para a sala.
A mesma situação aconteceu com outra vítima, que não quis ter o nome divulgado. A mulher, que atua na área do marketing, foi até a empresa para ter uma reunião com o suspeito. Durante a entrevista, se sentiu incomodada com olhares, elogios e toques.
Ao fim da reunião, o homem também a levou até o banheiro com a justificativa de mostrar suas ideias. No local, também ficou sem camisa.
Ele foi passando a mão em mim, chegando mais perto. Ele disse que estava excitado e eu solicitei que a gente voltasse para a sala e encerrasse a reunião. Ele disse que não, que iríamos fazer um tour pela empresa. Simplesmente tirou a blusa e seguiu a reunião, contou.
Mesmo modus operandi
Nos relatos das vítimas, há um padrão nas abordagens do suspeitos:
- as entrevistas foram marcadas na sede da empresa;
- a reunião começou na sala do engenheiro, que fica no primeiro andar;
- depois, as vítimas foram convidadas para fazer um tour pela empresa, do primeiro andar até o subsolo das instalações;
- elas são levadas para o banheiro, para mostrar as ideias escritas na parede.
Após as reuniões, as duas mulheres decidiram não prosseguir com os respectivos projetos. A professora Priscila Silva chegou a receber vídeos do suspeito através das redes sociais, onde ele a chamou de "gostosa".
O advogado que acompanha as duas vítimas explicou que os processos correm nos âmbitos criminal e civil, com pedido de indenização por danos morais.
Segundo o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), o suspeito já respondeu um processo por violência doméstica contra a ex-companheira.
Fonte: G1 / Foto: Reprodução

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