Um levantamento da Genial/Quaest revelou que 29% dos brasileiros com mais de 16 anos afirmam realizar apostas esportivas online, enquanto 71% dizem não ter esse hábito. A pesquisa foi realizada entre os dias 10 e 13 de abril de 2026, com 2.004 entrevistados em todo o país, margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Os dados mostram diferenças regionais. A Região Sul lidera com 37% de apostadores, seguida pelo Sudeste, com 29%. Centro-Oeste e Norte somam 27%, enquanto o Nordeste registra 25%. O recorte por gênero indica maior participação masculina: 33% dos homens afirmam apostar, contra 21% das mulheres.
A análise por renda aponta maior incidência entre quem recebe de dois a cinco salários mínimos, com 32%. Entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, o índice é de 26%, e entre os que ganham até dois salários mínimos, 24%. Em relação à escolaridade, pessoas com ensino médio registram 31%, enquanto o ensino superior apresenta 28%.
O levantamento também considerou religião e posicionamento político. Entre católicos, 34% afirmam apostar, enquanto entre evangélicos o percentual é de 23%. No campo político, 33% dos que se declaram bolsonaristas dizem apostar, frente a 26% entre lulistas e 31% entre independentes.
Dados de uma casa de aposta indicam que o campeonato mais popular no país é um produto local. Cerca de 10% dos usuários escolheram o Brasileirão na KTO para suas apostas, seguido pela Premier League, com 5%, e pela La Liga, com 4%.
Outros indicadores da plataforma apontam que o futebol lidera com ampla margem entre os esportes mais escolhidos, com mais de 80% das apostas. Modalidades como basquete e tênis aparecem em seguida, com participação menor.
O desempenho reforça a centralidade do futebol nacional no comportamento dos apostadores e a recorrência de buscas relacionadas ao Brasileirão na KTO dentro desse segmento.
O crescimento do setor ocorre em paralelo ao avanço de propostas de regulação no Congresso Nacional. Entre os projetos em discussão está o PL 2.985/2023, que propõe mudanças na publicidade das casas de apostas. A medida prevê a proibição de ações de marketing e a limitação da exposição de marcas, incluindo restrições ao uso de atletas e figuras públicas.
O texto também determina a obrigatoriedade de avisos sobre riscos associados às apostas. A proposta tem gerado debate entre parlamentares e representantes do esporte. Clubes de futebol manifestaram preocupação com possíveis impactos financeiros, estimando perdas de até R$ 1,6 bilhão por ano caso as restrições sejam implementadas.
Além das perdas econômicas, entidades apontam riscos jurídicos relacionados a contratos de patrocínio já firmados, muitos com duração de longo prazo. Em paralelo, há emendas em discussão que buscam permitir determinados formatos de publicidade vinculados a espaços previamente contratados, com o objetivo de preservar acordos existentes.
O debate no Legislativo ocorre em um cenário de expansão das apostas esportivas no país. No mercado regulado, 25 milhões de brasileiros realizaram apostas em plataformas autorizadas ao longo de 2025. A receita bruta das operadoras, calculada sobre as apostas descontados os prêmios pagos, chegou a cerca de R$ 37 bilhões no período.

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