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'Foi chefe de estado, não será chefe de cadeia', diz promotor sobre Cabral

Promotores do Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ) afirmaram na tarde desta quinta-feira, em entrevista coletiva, que o sistema penitenciário foi "moldado" e "adaptado" para atender às necessidades do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB).



Até a biblioteca que funcionava em Bangu 8 foi levada para o presídio de Benfica depois que Cabral passou a cumprir na unidade prisional da Zona Norte a medida cautelar que determina sua prisão preventiva. Mais cedo, os juízes Sergio Moro e Caroline Vieira Figueiredo, de Curitiba e do Rio, determinaram a transferência de Cabral para a capital paranaense, que aconteceu nesta quinta-feira.


— Foi chefe de estado, não será chefe de cadeia — afirmou o promotor Mateus Picanço Pinaud, do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp).



A promotora Andréa Amin contou que, semana passada, esteve em Bangu 8 e constatou que a biblioteca foi esvaziada. Todo o material já havia sido levado para Benfica, onde Cabral trabalha na biblioteca para ter direito à diminuição de pena.


— Em Bangu 8, existem presos idosos cumprindo pena e existe possibilidade de remição por leitura. Se tiver que escolher uma unidade prisional para instalar biblioteca para ter remição por leitura, por uma questão de lógica, teria que optar por uma unidade com presos cumprindo pena e não presos provisórios (caso de Benfica) — afirmou a promotora.


Andréa Amin reforçou que o sistema penitenciário passou a funcionar de acordo com as necessidades do ex-governador:


— Desde novembro de 2016 (quando Cabral foi preso), o sistema prisional do Rio passou a se moldar para atender às necessidades de um preso, criando privilégios que ferem a isonomia que se encontra na Lei de Execuções Penais e no Código de Processo Penal — acrescentou.


Em troca dos benefícios, o Ministério Público acredita que Cabral também oferecia favores. O filho de um agente penitenciário lotado em Benfica foi nomeado na Secretaria estadual de Esporte três dias após a saída de Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador, que reassumiu o cargo de deputado federal. O motivo da nomeação será investigado pelo MP-RJ.



ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA EM ATIVIDADE

Procuradores da força-tarefa da Operação Lava-Jato no Rio também participaram da entrevista coletiva. Para o procurador Leonardo Cardoso Freitas, as regalias são exemplos de que a influência do ex-governador segue intacta.


— A organização criminosa chefiada pelo senhor Sérgio Cabral segue viva e exercendo sua influência nas entranhas do Estado do Rio.


A Justiça determinou a transferência de Cabral para o Complexo Médico de Pinhais, presídio em Curitiba que também abriga presos da Lava-Jato. O ex-governador foi transferido nesta quinta-feira.


— O senhor Sérgio Cabral conseguiu manter sua posição de líder da organização criminosa mesmo preso. O que se espera com a transferência é que esta posição seja afastada — completou o procurador Sérgio Pinel.


Agência o Globo

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