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PM e professora se reencontram após repercussão de gesto de solidariedade em Feira


Mesmo cansada e sem muita experiência com a prática em corrida de rua, a professora Paula Brito decidiu participar da Corrida dos Bancários, que aconteceu no último domingo (26), em Feira de Santana. No meio do trajeto, já sem fôlego e pensando em desistir, ela viu uma moto do Pelotão Asa Branca que passava do seu lado. Estavam a bordo da motocicleta a cabo Leão e o soldado Normando Almeida. Sendo a última corredora entre os demais participantes da corrida, Paula Brito foi logo informando aos policiais que iria parar de correr. No entanto, ela foi surpreendida pelo apoio e incentivo da dupla de policiais para que seguisse em frente e concluísse todo o trajeto.

A cabo Leão desceu da moto e começou a correr junto com a professora, enquanto o soldado Normando segurou o capacete da colega e seguiu acompanhando as corredoras. Paula compartilhou o seu relato nas redes sociais e emocionou a todos com a história simples e de solidariedade, vivenciada ao lado dos policiais. Na manhã de quarta-feira (29), a professora e a dupla de policiais se reencontraram e contaram o que significou o momento de gentileza.

O reencontro teve direito a muitas fotos, abraços e o reconhecimento de que sempre é possível tornar melhor o dia de alguém. A professora Paula Brito relatou que ficou muito feliz com o reencontro, em transmitir algo bom para as pessoas e que sempre em sua vida também busca praticar a solidariedade.


“A melhor parte da experiência é conseguir transmitir coisas boas. Traz um sentimento de gratidão e eu estou recebendo muito sentimentos positivos e mensagens das pessoas, principalmente me estimulando a não parar de fazer atividade física. Eu sou a sedentária da desculpa da rotina e o meu desejo hoje é voltar. Agora eu me sinto muito mais destinada a isso”, frisou.

Para Paula, toda a repercussão da história da corrida e a experiência vivida ao lado da cabo Leão e do soldado Normando valeram a pena e reforçou o sentimento de esperança para que as pessoas entendam que o mundo tem jeito sim e que as mulheres podem caminhar unidas e apoiando umas as outras.

“Da mesma forma que as coisas se constroem desse jeito, elas podem ser desconstruídas. A união entre as mulheres é muito importante, assim como o empoderamento feminino. As pessoas precisam entender que mulheres não precisam brigar umas com as outras e a cabo Leão mostra muito isso: a força que a gente pode ter juntas e a necessidade da gente reconhecer as coisas positivas que a polícia tem trazido. Acabei virando uma porta-voz dessa bandeira e desejo que todo o mundo se empenhe em espalhar notícias boas. Chega da gente ficar só ouvindo coisa ruim. Se a gente pode juntar todo mundo em pequenos e grandes atos a gente fica com esse legado para o mundo. Vamos espalhar o bem”, comentou.

Ajudar ao próximo

O soldado Normando Almeida, que trabalha com a cabo Leão há quatro anos, afirmou que também se surpreendeu com toda a repercussão pelo fato dele e a colega acompanharem a professora durante a corrida. Segundo ele, a prática de ajudar o próximo e exercer a cidadania estão presentes no dia a dia do trabalho da polícia e do Pelotão Asa Branca. No entanto, o reconhecimento é sempre bom porque eleva a autoestima do profissional e mostra que servir ao próximo proporciona resultados positivos.


Sobre o dia a dia com a Cabo Leão, ele comentou que tem muito respeito e apreço pela colega e que juntos buscam dar o melhor que podem para a sociedade feirense.

“O trabalho do pelotão Asa Branca tem duas vertentes: uma que trabalha predominantemente com fiscalização de trânsito e escolta de autoridades, que é o grupo ao qual eu pertenço, e tem outro pelotão denominado Garra. Trabalha no combate ao crime em abordagens e incursões em favelas. Minha relação com a cabo Leão é muito positiva e como qualquer relação entre humanos, às vezes, tem os embates, mas predomina sempre o bom senso e a amizade. Nada melhor do que o profissional ter o seu trabalho reconhecido. O reconhecimento do seu trabalho na mínima atuação que seja é importante para qualquer ser humano, para qualquer profissão, nos empolga, nos dá mais gás para a gente continuar trilhando esse caminho de servir bem a sociedade, de servir com respeito com humanidade e é a nossa obrigação”, ressaltou.

Realização Profissional

A cabo Leão informou que ainda tão teve tempo para responder todas as mensagens de carinho que recebeu após o episódio da Corrida dos Bancários em que correu junto com a professora Paula Brito. A policial militar, que também pratica corrida desde criança, contou que o gesto de querer incentivar a professora foi algo instantâneo, impulsivo e reflexo de algumas experiências que já passou em sua vida.


Conhecedora da prática de corrida de rua, ela sabe muito bem todas as dificuldades que os atletas têm neste tipo de competição e ajudar Paula Brito a concluir a prova lhe trouxe um sentimento de dever cumprido, de praticar o bem e de muita felicidade.

“Ela estava muito cansada, muito exausta e isso era visível. O que me motivou foi isso, descer da moto e correr para ajudá-la. Eu estava de serviço e descer da moto e ajudar alguém foi algo simples para mim. Tiraram uma foto e ela compartilhou a história, não esperava tanta repercussão. Já tive uma experiência parecida em corrida de rua quando eu corria a corrida do Esquadrão Águia em Salvador. No último quilômetro é a subida da ladeira do Jardim Zoológico e quando a pessoa corre e vai chegando lá vê que muitas pessoas desistem, outras ficam chorando e quando eu comecei a subir aquela ladeira de 1Km de eu imaginei que eu não fosse conseguir. Comecei a chorar, correndo, chorando e falando eu não vou conseguir, eu nunca fiz isso e de repente surgiu uma atleta que eu não sei quem é, não sei o nome, ele me encontrou. Ele já tinha completado a parte dele e começou a falar: ‘Guerreira vamos, a gente vai conseguir, vamos comigo, você vai conseguir, falta pouco!’ Eu começei a chorar e correr, até que eu cheguei. Para a minha satisfação e surpresa no momento das premiações eu fui contemplada com o troféu de primeiro lugar na categoria militar e segundo lugar na categoria para veterana”, relembrou.


Mesmo participando de várias outras corridas, a Corrida dos Bancários 2018 vai ficar para sempre marcada na memória da cabo Leão. O momento vivenciado por ela, pelo colega Normando e pela professora Paula Brito emocionou muitas pessoas e espalhou aos quatro ventos como fazer o bem e ter uma atitude positiva pode contagiar cada vez mais pessoas. Cabo Leão salientou que vai guardar do momento a mensagem de que ajudar alguém sempre é bom e faz bem para quem ajuda.

O reconhecimento do gesto de solidariedade trouxe ainda mais orgulho para a cabo Leão sobre ser policial militar. Apaixonada pela profissão, ela disse que tem 22 anos de corporação e desde criança quando assistia a uma série na TV que tinha uma policial militar sabia que seu grande desejo era seguir essa carreira.

“Era um personagem que resolvia todos os problemas e eu ficava encantada com aquela mulher policial. Decidi ser policial e realizar esse sonho que sempre esteve em meu coração. Hoje eu sou a mulher mais feliz do mundo como profissional. Sou a policial militar cabo Leão”, confirmou.

Sempre em forma e impecável

Cabo Leão veste a farda da PM com muito orgulho e com todo o zelo possível. O colega Normando faz questão de ressaltar o quanto a farda dela sempre está bem apresentável e muito bem passada. As botas também estão sempre polidas e com muito brilho. No cabelo não faltam trancinhas coloridas e a última escolha foi combiná-las com o tom marrom da farda. A maquiagem, unhas bem feitas e pintadas e os óculos muito estilosos compõem todo o visual da cabo Leão. O sorriso é um incremento a mais, assim como a sua seriedade na postura e disposição em ajudar as pessoas.

A prática da corrida é o que lhe traz bem estar, lhe deixa em forma e lhe dá a força e pique para carregar todo o uniforme e armamento de quase 13kg, e ainda circular pelas ruas da cidade sempre em alerta durante as operações do Pelotão Asa Branca. O lema da cabo Leão é ter a atividade física presente em sua vida e como uma ferramenta de bem estar e saúde que traz muitos benefícios tanto na vida pessoal como profissional.

Confira a seguir o relato na íntegra

Hoje era apenas o dia da minha segunda corrida. Acordei atrasada, quase não levantava, esqueci de comprar o leite da inscrição... Papai me levou porque nem o lugar da partida sabia direito. O foco era correr mais que da última vez, talvez reduzir o tempo. Sabia que seria uma das últimas colocadas mas sem grandes emoções. Tava muito cansada, havia trabalhado o sábado todo, e após a largada vi que já estava melhor que da última vez... Após os 2km, entre corridas e caminhadas, estava no grupo dos últimos. Nos 3km, perto de pensar no número do motoboy, uma moto se aproximou, com dois policiais. Pensei: tô ferrada! Vou atrasar muito o fim da corrida porém, a PFem me perguntou: Você é a última? E convicta do sim respondi positivamente! Dali a sequência não era esperada, entretanto eu alonguei e falei: podem seguir, vou parar logo ali. Eis que de uma forma surpreendente ela respondeu mais uma vez: Não vamos deixar você só! Sinalizei que não conseguiria, então ela pediu para o parceiro: você segura meu capacete? Ele disse sim, ela desceu e correu comigo, de farda, em um sol escaldante e mais uma vez falou: você não vai parar porque vou com você até o fim. Entre orientações de respiração, estímulo para chegar a reta final ela foi comigo até a chegada - ainda me deixou chegar na frente dela. Com direito a aplausos e fotos me orgulhei de ver uma servidora que não precisava fazer aquilo honrar a farda que veste, e não apenas me protegeu como me estimulou a ser melhor! Não sei o nome dela, talvez nunca mais a veja mas, certamente nunca mais a esquecerei.

Fonte: Acorda Cidade

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