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Trump reconhece que jornalista saudita está morto; "é muito triste"


O presidente americano Donald Trump disse nesta quinta-feira (18) que acredita que o jornalista saudita Jamal Khashoggi esteja morto. Ele disse ainda, que caso a responsabilidade da Arábia Saudita for comprovada, haverá “graves consequências”.

“Parece que ele está realmente morto. É muito triste”, disse Donald Trump respondendo às perguntas de jornalistas que questionavam se Khashoggi, que desapareceu há duas semanas após entrar na embaixada da Arábia Saudita em Istambul, ainda estaria vivo.

Apesar de afirmar que punições severas serão impostas a quem estiver por trás da morte do jornalista, os Estados Unidos decidiram dar à Arábia Saudita "mais alguns dias", reforçando a impressão de que Washington procura proteger seu aliado saudita.

Negando qualquer intenção de "encobrir" Riad, o presidente Donald Trump ressaltou nos últimos dias os interesses estratégicos que ligam seu país ao reino sunita, citando a luta contra o terrorismo, a necessidade de conter a influência do Irã xiita, bem como os contratos bilionários de armas.

"Eu disse ao presidente Trump esta manhã que deveríamos dar a eles mais alguns dias, para que nós também tenhamos uma compreensão completa dos fatos" em torno do desaparecimento de Khashoggi, afirmou o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeu. "Nós deixamos claro que levamos este caso muito a sério", acrescentou ele depois de uma reunião no Salão Oval com Donald Trump.

No único indício de uma posição americana mais firme neste contexto, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, cancelou, nesta quinta-feira, sua participação em uma conferência de investidores em Riad. O encontro, chamado de “Davos do deserto” e marcado para 23 a 25 de outubro, sofreu diversas deserções com a crise provocada pela suposta morte de Khashoggi no consulado saudita de Istambul.

"Grande mala"

A publicação de novas imagens das câmeras de segurança mostrando os movimentos em Istambul de um oficial dos serviços de segurança próximo ao príncipe herdeiro saudita aumentou ainda mais a pressão sobre Riad.

Segundo o jornal New York Times, o homem em questão, Maher Mutreb Abdulaziz, que foi identificado pelas autoridades turcas como um dos membros de uma equipe de 15 agentes enviados por Riad para assassinar o jornalista, faz parte da comitiva do príncipe herdeiro e homem forte da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman.

Nas novas imagens divulgadas nesta quinta-feira pelo jornal pró-governamental turco Sabah, é possível ver um homem apresentado como Mutreb chegar às 6h55 GMT ao consulado da Arábia Saudita, e às 13h53 em frente à residência do cônsul. Khashoggi havia entrado no consulado por volta das 10h15 e nunca mais saiu. Mutreb pode então ser visto em fotos deixando um hotel de Istambul com uma "mala grande" e acompanhado por um grupo de homens às 14h15 GMT. Ele chega 45 minutos depois no aeroporto de Istambul para pegar um voo.

A imprensa turca, alegando basear-se em gravações sonoras feitas no local, já havia publicado na quarta-feira (17) novas informações contundentes segundo as quais Jamal Khashoggi foi torturado e assassinado no consulado no dia do seu desaparecimento.

Investigação da ONU?

O Washington Post divulgou na quarta-feira o que apresenta como a mais recente contribuição de Jamal Khashoggi, um texto em que o repórter discute a falta de liberdade de imprensa no mundo árabe. "Infelizmente, essa situação provavelmente não vai mudar", lamenta o jornalista nesta coluna transmitida por seu tradutor no dia seguinte ao seu desaparecimento.

A Anistia Internacional, a Human Rights Watch, os Repórteres Sem Fronteiras e o Comitê para a Proteção dos Jornalistas pediram à Turquia que solicite uma investigação da ONU sobre o caso Khashoggi. "O envolvimento das Nações Unidas é a melhor garantia contra a mentira saudita ou contra tentativas de outros governos de ignorar o problema, a fim de preservar lucrativas relações comerciais com Riad", disse Robert Mahoney, diretor executivo adjunto do Comitê de Proteção dos Jornalistas, citado no comunicado.

"Dado o possível envolvimento das autoridades sauditas no desaparecimento forçado de Khashoggi e em seu assassinato, bem como pela falta de independência do sistema de justiça penal saudita, a imparcialidade de qualquer investigação por parte das autoridades sauditas seria questionável", acrescenta a declaração.

A Promotoria de Istambul divulgou uma declaração dizendo que informaria ao público sobre o andamento da investigação "se necessário".

Com informações da AFP.

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