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'Talvez pegue uma cana aqui no Brasil', diz Bolsonaro sobre Glenn Greenwald


O presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado (27.jul.2019) que o jornalista norte-americano Glenn Greenwald pode acabar sendo preso no Brasil já que não se adequa em portaria publicada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, que facilita a extradição de criminosos.

O site The Intercept Brasil, do qual Glenn faz parte, tem publicado uma série de reportagens com conversas entre o ex-juiz e procuradores da operação Lava Jato, no caso que ficou conhecido como Vaza Jato.

Em visita ao Rio de Janeiro, onde participou de cerimônia de brevetação de paraquedistas, Bolsonaro avaliou que o jornalista teria sido “malandro” por ter se casado com o deputado federal David Miranda (Psol-RJ) e adotado crianças brasileiras.

“Ele (Glenn) não se encaixa na portaria. Até porque ele é casado com outro homem e tem meninos adotados no Brasil. Malandro, malandro, para evitar 1 problema desse, casa com outro malandro e adota criança no Brasil. Esse é o problema que nós temos. Ele não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, não vai pegar lá fora não”, afirmou.

A portaria publicada na 5ª feira (25.jul.2019) pelo ministério de Moro estabelece que pessoas consideradas perigosas “ou que tenham praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal” poderão ser deportadas sumariamente ou ter seu visto de permanência no Brasil reduzido ou cancelado.

O presidente defendeu a medida, dizendo que poderia até ter feito 1 decreto sobre o tema. “Quando o Moro falou comigo, que teria carta branca, eu teria feito um decreto. Tem que mandar para fora quem não presta. Não tem nada a ver com o caso dele (Glenn)”, completou.

Bolsonaro lembrou que foi 1 dos únicos congressistas, segundo ele, que foi contra projeto do ex-chanceler Aloysio Nunes sobre imigração. Para Bolsonaro, o Brasil está “escancarado” para quem vem de fora o que não acontece nem nas casas dos brasileiros, que as fecham para dormir. Ele nega, contudo, que seja de alguma forma xenófobo.

“Pela lei, se chegar aqui um navio com 5.000 pessoas de qualquer lugar do mundo, já sai com hospedagem. Não é assim! Não sou xenófobo, mas na minha casa entra quem eu quero, e a minha casa no momento é o Brasil. Se 1 cara for pego por suspeita de tráfico, sequestro, esses crimes brabos, é suspeito apenas, sai daqui! Já tem bandido demais no Brasil! Esse é o sentimento dele (Moro) e o meu também, parabéns ao Moro”, disse.