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'Barulho que parecia um trovão', diz moradora sobre desabamento de casas em Salvador


Mais 24 casas foram interditadas nesta sexta-feira (4) após uma encosta desmoronar e cinco imóveis desabarem, no bairro Fazenda Grande do Retiro, em Salvador, segundo informações da Defesa Civil de Salvador (Codesal). Algumas estão "penduradas" em volta de uma cratera gigante que se formou no local após o desmoronamento da encosta.

Na quinta-feira (3), parte de um dos imóveis já havia desabado. Desde o mês de agosto, quando a parede de uma das casas caiu, até esta sexta, a Codesal desocupou 53 casas por causa do risco de novos desabamentos.

Não havia pessoas dentro dos cinco imóveis que desabaram, porque eles estavam já tinham sido interditados antes. Um deles, que tinha pavimento térreo e primeiro andar, continuou inteiro mesmo depois de cair na cratera.

Maria Helena, de 69 anos, que teve a casa interditada nesta sexta, mora com a filha e duas netas no local. A idosa foi retirada de dentro de casa por técnicos da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros.

"O dia começou caindo parede. Vários baques, aqueles estalos. A gente tentava dormir, mas ninguém conseguia, porque toda hora era um baque. Mais tarde quando eu saí de casa só vi tudo desabando lá embaixo. Um barulho que parecia um trovão", lembrou.

Maria Helena teve a casa interditada na Fazenda Grande do Retiro — Foto: João Souza/G1

A casa Celso Augusto, de 54 anos, estava interditada desde quinta-feira (3). No entanto, ele permanece no local e precisou sair correndo quando ouviu os primeiros estalos na madrugada desta sexta, quando chovia bastante na região. A área de serviço e parte da cozinha do imóvel desabaram.

"Minha família já saiu de casa tem um mês e eu estava [morando no local] para cuidar das nossas coisas e da nossa casa". Até ontem [minha casa] tinha uma área de serviço, que a gente colocava uma piscina e parte da minha cozinha".

Celso ainda relatou o desespero ao ouvir os estalos. "Foi um pânico na hora [momento dos estalos], eu saí correndo para fora de casa. Três horas da manhã a chuva foi passando e as pessoas se recolhendo para dentro das casas. Como eu não sabia para onde ir, fiquei lá na sala querendo até dar um cochilo, mas como é que consegue? Chovendo e só os estalos, tive que sair correndo para a rua", contou.

Parte da casa de Celso Augusto desabou na madrugada desta sexta-feira (4) — Foto: João Souza/G1

Outra moradora que teve a casa interditada na quinta-feira foi Ana Paula, de 48 anos. O imóvel dela não desabou, mas ela recebeu a notícia, nesta sexta, de que ele será demolido nos próximos dias.

"Minha casa tem três pavimentos. Não sei o que vão fazer, só sei que isso está destruindo minha vida. Vão demolir tudo e agora é Minha Casa, Minha vida ou indenização", lamentou.

Mais de 10h depois do desabamento, a idosa ainda não tinha dormido e tentava resolver onde iria passar a noite. "O medo foi muito grande, até agora eu não durmo. Nós saímos todos de casa, a Codesal tirou todo mundo".

Parte dos imóveis interditados no bairro de Fazenda Grande do Retiro, em Salvador — Foto: Raphael Marques/TV Bahia

Os moradores acreditam que as causas do desabamento foram as chuvas que atingem Salvador desde a quarta-feira (2) e a obra de contenção que foi feita na encosta que desmoronou.

"A chuva do jeito que está vindo e a obra que não foi bem feita, a obra está em cima do barro. Tanto que desmontou tudo, você vê que foi um serviço mal feito", disse Maria Helena.

Alguns moradores que tiveram as casas interditadas estão usando as salas da Escola Municipal Austricliano de Carvalho, que fica na Travessa Santo Antônio, para guardar móveis e roupas.

"Abrimos a escola para poder ajudar os moradores com o que a gente pode. Tem algumas coisas nas salas de aulas e uns armários, camas e outros móveis no pátio", disse a diretora Genilda Figueiredo.

Por volta das 17h50, apenas uma das 29 casas interditadas na quinta-feira tinha sido demolida nesta sexta.

O prefeito ACM Neto e o vice Bruno Reis estiveram no local, durante a tarde, para fazer uma vistoria junto com os técnicos da Defesa Civil (Codesal) e agentes das secretarias de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra), de Promoção Social e Combate à Pobreza (Sempre) e de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur), além da Superintendência de Obras Públicas (Sucop) e da Limpurb.

De acordo com a assessoria da prefeitura, as famílias prejudicadas vão ganhar novas moradias no Conjunto Habitacional Barro Branco, que possui cerca de 120 apartamentos e está sendo construído no Alto do Peru, uma localidade dentro da Fazenda Grande do Retiro.


A Sempre informou que 41 famílias da comunidade já receberam o Aluguel Social. Uma equipe da pasta esteve no local para fazer um novo levantamento de dados.

A Prefeitura de Salvador ressaltou que, desde maio, o órgão identificou o acúmulo de água na encosta, provavelmente por causa do vazamento de alguma adutora da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa).

A administração municipal investiga se o responsável pelo desmoronamento da encosta foi a concessionária de água e esgoto ou o Consórcio Maf e GeoBahia, que executou a obra de contenção.

Rachaduras

Parte de uma das casas que desabou na Fazenda Grande do Retiro — Foto: João Souza/G1

As rachaduras começaram em julho, mas se agravaram após chuvas fortes em agosto. De acordo com os moradores, o problema das fissuras começou a aparecer depois de uma um serviço de aplicação de geomanta feita na mesma região onde fica a Rua Candinho Fernandes.

Na época, um estudo preparado pela Superintendência de Obras Públicas (Sucop) apontou que as rachaduras não têm a ver com a obra. A hipótese é que um vazamento ocorrido em uma tubulação que fica na rua, e passou por manutenção no ano passado, provocou as rachaduras.

Ainda segundo Sosthenes Macêdo, coordenador da Codesal, ainda não há um prazo para os imóveis serem totalmente demolidos, porque as investigações ainda estão em curso.