Coronavírus motiva famílias a buscarem imóveis fora das grandes cidades

Por Dr. Carlos Ely Eluf, advogado titular do Eluf Advogados Associados, coordenador e conselheiro de prerrogativas da OAB-SP

A última atualização do Ministério da Saúde, na manhã desta terça-feira (24), informa que o Brasil tem agora 1.967 casos confirmados de pacientes infectados com o novo coronavírus. O país já registra 34 mortes decorrentes da Covid-19. Até o momento, são 30 mortes confirmadas em São Paulo e outras 4 no Rio de Janeiro. O cenário atual tem feito com que a população mude drasticamente a sua maneira de viver.

Um fenômeno que está ocorrendo, especialmente entre famílias mais abastadas, é a procura por refúgios em cidades pequenas no interior e no litoral. O objetivo é óbvio: ficar distante dos grandes centros, onde há maior aglomeração de pessoas. Para 2020, de acordo com a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), o segmento de médio e alto padrão deve representar um crescimento de mais de 30% no mercado imobiliário.

Desde o anúncio da pandemia, famílias passaram a procurar imóveis para períodos de, no mínimo, 120 dias em condomínios de luxo fechados, bem como outros existentes no litoral. A locação ou compra desses imóveis, utilizados em decorrência do temor das cidades com superpopulação, foi uma decisão emergencial para buscar mais tranquilidade nesse período de reclusão obrigatória a que foram submetidas.

De fato, é muito mais lógico permanecer no interior, em sítios, fazendas e condomínios fechados, principalmente para pessoas que estão no grupo de risco. Com essas providências de saírem das grandes capitais, as famílias procuram obter segurança nesses tempos de inquietação e apreensão, conseguindo fugir, inclusive, de preços abusivos praticados pelos oportunistas nas grandes metrópoles.

Com os colégios investindo maciçamente em aulas virtuais, o distanciamento não será problema, apesar de algumas escolas ainda estarem em processo de ajustes, já que este será o modelo a ser adotado por tempo indeterminado. É possível que um quadro epidêmico mais grave no Brasil não possa ser evitado. O governo fala em operação de guerra, mas batalhas importantes já foram perdidas. Dessa forma, a fuga de famílias para regiões mais isoladas parece realmente ser a melhor solução. Sabe-se lá até quando.

Por Flávia Vargas Ghiurghi
flaviavghiurghi@hotmail.com