Uma família da Bahia foi expulsa de um voo no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. O empresário Ivan Lopes, a esposa e duas filhas, incluindo uma criança de 11 anos, seguiam para Salvador quando foram retirados da aeronave após um impasse sobre assentos na classe executiva. Segundo relatos das vítimas, o episódio envolveu acusações de grosseria por parte da tripulação, a intervenção da polícia francesa e um prejuízo estimado em R$ 100 mil para o retorno ao Brasil.
Em entrevista ao portal BNews, Ivan conta que retornava de uma temporada na Europa e realizou um upgrade das passagens em Milão, trocando a categoria Premium Economy pela executiva para o trecho Paris-Salvador. Ele conta que o custo adicional foi de cerca de € 1.600 (aproximadamente R$ 9.600), pago para garantir mais conforto devido ao cansaço acumulado da viagem.
No entanto, ao embarcarem na capital francesa, foram informados de que o assento 7L, reservado para a filha mais velha, Bruna Lopes (26), estaria "quebrado". A companhia aérea sugeriu que ela retornasse para a classe econômica.
A situação se agravou quando a família entrou na aeronave e encontrou outro passageiro ocupando a poltrona supostamente avariada. O ocupante alegou ter sido realocado para ali devido a problemas em seu assento original. A suspeita da família é de que o passageiro tivesse algum vínculo com a empresa ou com o comandante, dada a proximidade demonstrada durante o embarque.
Gravações mostraram momento da expulsão
Vídeos gravados por testemunhas mostram o momento em que o comandante teria retirado o cartão de embarque das mãos da passageira. Houve também relatos de tentativas de impedir a gravação de imagens por parte da família e de outros passageiros.
Diante do impasse, a polícia francesa foi acionada. Após cerca de uma hora de negociação, os quatro membros da família foram retirados do avião. A abordagem policial foi descrita como pacífica, diferentemente da conduta atribuída à tripulação.
Após a expulsão, a família buscou o balcão da Air France para tentar uma reacomodação. A companhia aérea, no entanto, recusou-se a emitir novas passagens gratuitamente. A justificativa apresentada foi de que o atraso causado pela discussão gerou prejuízos operacionais à empresa.
Sem assistência, Ivan Lopes precisou comprar novos bilhetes em outra companhia aérea para conseguir retornar a Salvador, chegando apenas na manhã de quinta-feira (15). O empresário calcula que, somando as novas passagens, deslocamentos e despesas extras, o prejuízo financeiro gira em torno de R$ 100 mil.
A família contou ainda que pretende processar a Air France por danos morais e materiais, buscando o ressarcimento integral dos valores gastos e reparação pelo constrangimento sofrido internacionalmente.
O que diz a Air France
Em resposta a comentários de brasileiros feitos nas redes sociais da empresa, a Air France deu mais detalhes sobre o caso. Leia nota completa abaixo:
Nossa equipe no portão informou a um dos quatro passageiros, que originalmente possuíam bilhetes para a cabine Premium, que devido a um assento não funcional na cabine Executiva, o upgrade para a Classe Executiva, que havia sido pago no dia da partida, não poderia ser honrado, e que o assento do passageiro havia sido atribuído a um cliente que havia pago por um bilhete da Classe Executiva no momento da reserva.
Uma vez a bordo, os passageiros reagiram de forma muito veemente e se comportaram de maneira inadequada com a tripulação de cabine. Apesar das explicações e apelos do comandante para que mantivessem a calma, os passageiros continuaram com seu comportamento perturbador na cabine.
Diante dessa situação, de acordo com a legislação internacional aplicável, o comandante decidiu retirar esses quatro passageiros da aeronave para garantir o bom funcionamento e a tranquilidade de todos os passageiros do voo.
Lembramos que a segurança de nossos clientes e tripulantes é nossa maior prioridade.
Fonte: O Tempo

Postar um comentário