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Baiana ganha prêmio da ONU para melhorar o planeta


"Gosto de pesquisar coisas novas. Sou muito curiosa. A criatividade me define". Dessa forma, Anna Luísa Beserra se descreve. A vencedora do Prêmio Jovens Campeões da Terra, que é voltado para os jovens empreendedores com ideias inovadoras para o futuro do planeta, criou um equipamento que transforma água de cisternas em potável.

A notícia da conquista chegou há cerca de 2 meses, mas não podia ser revelada. A informação só foi divulgada no site da Organização das Nações Unidas (ONU), na última terça-feira. "Fiz a inscrição só por fazer. Quando soube que fui finalista, já achei uma grande conquista. Quando veio a notícia que tinha ganhado, eu não acreditei". O projeto já ganhou outros cinco prêmios.

O projeto Aqualuz consiste em uma caixa de inox, coberta por uma tampa de vidro e uma tubulação ligada à cisterna. A filtragem da água funciona sem uso de produtos químicos. Usa os efeitos da radiação ultravioleta e infravermelha do sol. "Essas reações que são nocivas à nossa saúde, é letal nos micro-organismos. A gente faz o uso dessa energia natural, para garantir água potável".

Quando a água é bombeada da cisterna até a caixa, passa por um encanamento. Depois o filtro ecológico preserva as partículas sólidas. Após a passagem pelo filtro, ela fica armazenada na caixa de inox, exposta à radiação solar para a eliminação dos micro-organismos insalubres. O processo tem tempo médio de 2 horas a 4 horas, até que o sensor mude de cor e alertando que a água já pode ser consumida. O dispositivo filtra até 15 litros em 2 horas, e tem vida útil de 20 anos. A limpeza do equipamento é feita com água e sabão, além da troca do filtro natural.

Formada em biotecnologia pela Universidade Federal da Bahia, a jovem viajou, ontem, para receber o prêmio na cerimônia na 74ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, dia 26 de setembro, em Nova York. Os últimos dias têm sido de grande expectativa. "Não tenho dormido direito, hoje comi só uma banana. É uma grande emoção". Anna tem retorno previsto para Salvador no dia 30 de setembro.

Orgulho

O pai, Anderson Santos, 48 anos, lembra que a filha sempre teve esse lado cientista. "Desde pequena, sempre foi muito curiosa, ela pegava os insetos e analisava. Enquanto outras meninas pediriam coisas normais, ela pediu um microscópio. Enquanto outras jovens iam para festas, ela ficava em casa, estudando".

Ele também destacou o lado social que motivou a filha na criação. "O que sempre motivou ela, foi o lado social. O ajudar, pensar no próximo". O pai aproveitou para levantar a bandeira da pesquisa científica. "Vemos os recursos financeiros sendo limitados para pesquisa científica. É importante que ela sirva de exemplo para motivar outros jovens".

Ela confessou que a ideia do projeto surgiu na adolescência. "Surgiu aos 15 anos. Eu sempre tive vontade de ser cientista e tive a oportunidade de participar do Prêmio Jovem Cientista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Era o Ano Internacional pela Cooperação da Água, em 2013, e foi a grande oportunidade de realizar meu sonho de ajudar".

Ela contou que pretende ajudar, também, outros países. "Sempre tivemos noção da problemática da seca. É algo que pode ajudar não só aqui, mas outros países, como a África, que sofre com o mesmo problema. Vamos garantir o acesso a água potável de forma realmente viável", afirmou Anna.

O custo pode variar e a compra de equipamentos fica em torno de R$ 500. "Nosso foco é tratar a água de cisterna, que é da chuva, mas ainda não é potável. É essa que iremos tratar. Não conseguimos atender lagos ou poços com água barrenta".

O equipamento foi implantado em 53 unidades no semiárido brasileiro na Bahia, Alagoas, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Para essa etapa, são necessários patrocínios. Anna utilizou o dinheiro das premiações, além de ter contado com o apoio do Instituto TIM.

A jovem falou sobre as expectativas para o futuro. "Agora com a premiação da ONU, nós esperamos expandir para África e Ásia. Nós teremos a oportunidade de estar em contato com pessoas de outros países, que podem facilitar o processo".

A Tarde